07 fevereiro \2011
07 fevereiro \2011

Por Que Produzir Filmes Custa Tão Caro?

Curiosidades Dica de Cinema Tv e Cinema

“A Terra Perdida” (Land of the Lost), um filme de US$ 100 milhões estrelado por Will Ferrell, obteve apenas US$ 65 milhões em bilheteria em todo o mundo, enquanto “Atividade Paranormal” (Paranormal Activity), um sucesso inesperado, custou apenas US$ 10 mil e rendeu US$ 100 milhões. Enquanto isso, “Avatar”, o mais recente filme de James Cameron, está recebendo mais atenção de mídia devido ao seu orçamento inchado – projetado em US$ 500 milhões – do que aos inovadores efeitos especiais que utiliza.

Se o custo de um filme tem pouco ou nada a ver com sua lucratividade, então por que diabos os filmes custam tanto assim – em média US$ 100 milhões, pela mais recente estimativa ? A resposta é: porque ninguém quer que custem menos.

Tudo se resume a um conceito financeiro conhecido como Lei de Parkinson, que explica, entre outras coisas, que os orçamentos de filmes sempre se expandirão para “absorver plenamente o capital” disponível, quer ele resulte em um produto melhor ou mais vendável, quer não.

Durante o boom econômico da metade dos anos 2000, o caixa de Hollywood estava repleto – ainda que de dinheiro de outras pessoas. Fundos de hedge de Wall Street formaram parcerias com grandes bancos de investimento como o Lehman Brothers e o Goldman Sachs para injetar US$ 15 bilhões em filmes de Hollywood entre 2005 e 2008 .

Investidores externos acorreram a Hollywood em larga medida devido a uma nova estrutura de pagamento que dava a eles porcentagens dos lucros totais do filme ao longo de todo seu ciclo de vida. Os lucros incluem receitas de bilheteria, serviços online de vídeo, DVDs, licenciamento nacional e internacional para TV, filmes exibidos em aviões, merchandising e licenciamento de brinquedos . No começo do ano 2000, o índice médio de retorno sobre um filme de estúdio era de saudáveis 15%. Os maiores sucessos propiciavam retornos de entre 23% e 28%.

Wall Street tratava os filmes da mesma forma que tratava os ativos hipotecários durante o boom dos imóveis. As empresas criavam pacotes de investimento em filmes e os convertiam em títulos para revenda a investidores. Quando os ativos lastreados por hipotecas começaram a perder valor, na metade do ano 2000, os bancos passaram a canalizar ainda mais dinheiro para o cinema.

Com a entrada de tanto dinheiro vindo de investidores externos, os estúdios podiam gastar menos dinheiro próprio em cada filme, e ainda assim receber uma “comissão de distribuição” de 10% sobre o faturamento bruto – uma vantagem que eles não compartilhavam com os bancos .

De acordo com a Lei de Parkinson, mais dinheiro queria dizer mais filmes, e filmes mais caros.

“Avatar”, um filme de US$ 500 milhões, obteve 60% de seu orçamento junto a fontes não cinematográficas, o que reduziu o risco de produção para os nervosos contadores do estúdio 20th Century Fox – mas ainda assim representa um filme popular dos mais dispendiosos.

Agora que sabemos de onde vem o dinheiro, vejamos como ele é gasto:

Antes de discutirmos a distribuição de gastos em um filme, melhor enfatizar que a contabilidade de Hollywood é, na melhor das hipóteses, dúbia. Os presidentes de estúdios sempre oferecem estimativas de custo reduzidas para fazer com que os lucros pareçam maiores, enquanto fontes internas mencionam custos exorbitantes que passam sem registro. A aposta mais segura? Presuma que todo mundo está mentindo.
Ainda que seja difícil obter números específicos, temos uma boa ideia sobre onde os estúdios gastam seu dinheiro. O orçamento de produção de um filme inclui todos os custos incorridos em pré-produção, filmagem, pós-produção e promoção. Isso inclui adquirir os direitos sobre o roteiro, pagar os salários dos atores e da equipe de produção, construir cenários, bancar efeitos especiais, figurinos, adereços, marketing, treinamento de cachorros – tudo! E quanto custa “tudo”? O orçamento médio de produção para um filme de estúdio grande em 2007 foi de US$ 106 milhões.

marketing responde por larga proporção do orçamento de um filme moderno – em média US$ 35,9 milhões -, em larga medida porque o destino de muitas produções de Hollywood é decidido na primeira semana. Muito dinheiro é investido em trailers, comerciais de TV, outdoors e sites, para atrair o máximo público possível no final de semana de lançamento. A estratégia parece funcionar: “Homem Aranha 3” obteve 45% de sua bilheteria total na primeira, enquanto “X-Men: O Confronto Final” obteve 52% de seu faturamento total na primeira semana.

Ao calcular um orçamento de marketing, a regra básica é que ele seja de 50% do valor restante de produção (pré-produção, filmagem e pós-produção). Assim, se produzir um filme custou US$ 100 milhões, o estúdio precisará de US$ 50 milhões para promovê-lo.

Para os filmes de estúdio, a “aposta segura” tradicional é investir pesado em um ator conhecido. O motivo é simples: astros vendem mais ingressos e são mais reconhecíveis e vendáveis junto às audiências internacionais. Assim que um astro consegue alguns grandes sucessos, em geral conquista acesso ao exclusivo clube dos salários da ordem de US$ 20 milhões por filme – ainda que poucos deles sejam sócio vitalícios.

Depois de uma série de sucessos sem a presença de grandes astros, como “Transformers”, “Star Trek” e “Se Beber, Não Case” (The Hangover), e mais uma crescente lista de fracassos de superastros, tais como “A Terra Perdida” (Land of the Lost), de Will Ferrell, e “Duplicidade” (Duplicity), de Julia Roberts, os estúdios parecem estar começando a ver a luz. Astros como Denzel Washington e Tom Cruise estão aceitando salários mais baixos em troca de participação maior nas vendas de DVDs e nos lucros de distribuição.

Não surpreende que os filmes mais dispendiosos dos últimos 20 anos sejam aqueles com os maiores efeitos especiais: “Homem Aranha 3” (US$ 258 milhões), “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” (Harry Potter and the Half-Blood Prince) (US$ 250 milhões) e “Superman: O Retorno” (Returns) (US$ 232 milhões) encabeçam a lista. Para “Transformers 2” (US$ 225 milhões), a Industrial Light and Magic, uma das potências dos efeitos especiais, empregou 40 animadores em período integral. James Cameron, que mais ou menos inventou o gênero de filme de superorçamento com efeitos especiais grandiosos, ao filmar “Titanic”, desenvolveu tecnologia 3D própria para “Avatar”, e investiu US$ 14 milhões em dinheiro pessoal no filme.

Com todo esse dinheiro circulando, seria de imaginar que os estúdios são capazes de perceber o potencial de sucesso de certos filmes. De forma alguma. Cada filme é um produto único (mesmo as continuações) e chega a um mercado em permanente mutação. O próximo grande sucesso pode ser uma comédia de baixo orçamento ou uma extravagância de efeitos especiais ao custo de US$ 250 milhões. Nunca se sabe – esse é o mundo do entretenimento.

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Blogueira, Colorada, Gaúcha, Noiva e Publicitária, não necessariamente nessa mesma ordem. Mora em Porto Alegre a sua vida toda (26 anos). Faz faculdade de Publicidade e Propaganda no IPA, desde 2011. Criou o blog de humor Arreganho, em agosto de 2009. Um ano depois, lançou o Agregador À Toa na Net. Atualmente, administra o blog Youtoba também e a fanpage Piadas Chuck Norris. Criou o blog Profissão Blogueiro (a) para divulgar um pouco mais o seu trabalho e juntar todas as dicas que costuma dar diariamente para familiares e amigos que querem dar certo com blogs.
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